Thursday, November 12, 2009

2012



O alemão Roland Emmerich conseguiu se superar no festival de bobagens que é 2012, novo filme-catástrofe na praça. Desta vez nada de ET's como em Independence Day, o frio em O Dia Depois de Amanhã, o monstro destruídor em Godzilla. Agora o tema é o final do mundo, de acordo com o calendário dos maias.
2012 é de encher os olhos devido aos seus efeitos especiais de primeira linha. E também por contar com um elenco de bons atores, como John Cusack, Chiwetel Ejiofor, Danny Glover, Oliver Platt e Amanda Peet.
Porém o roteiro é sofrível. Brutal. O planeta Terra está em vias de ser destruído e vários governos mundiais, liderados pelos Estados Unidos, começam a planejar uma forma de salvar um número determinado de pessoas (privilegiados que podem pagar R$ 1 bilhão por suas vidas).
Claro que no meio disso tudo, há a tradicional e batida história da família disfuncional. John Cusack é o escritor, que sobrevive como chofer de limusine, separado e com dois filhos morando com a ex-mulher e um metido metido a besta. E os filhos, a menina é um amor enquanto que o garoto é aquele tipo antipático, reclamando de tudo (alguém aí se lembrou de A Guerra dos Mundos, com Tom Cruise?). Há ainda o maluco (Woddy Harrelson), que prega o final dos dias e conspiração do governo e que é desacreditado por todo mundo.
Algumas cenas são de uma inverossimilhança tremenda, como por exemplo John Cusack escapando de terremotos dirigindo uma limusine, ou o padrasto de seus filhos de uma hora para outra se tornar um exímio piloto de aviões...Tudo bem, alguém vai dizer que o filme tem esse propósito, que é o de apenas divertir. Mas a ação é tão repetitiva, que uma hora cansa.
Cotação: regular
Chico Izidro

CÓDIGO DE CONDUTA




Um homem que viu sua mulher e filha pequena serem mortos fica completamente frustrado ao saber que o assassino sairá impune após fazer acordo com o procurador de Justiça. Este é o mote do bom CÓDIGO DE CONDUTA (Law Abiding Citizen), de F. Gary Gray.
Gerard Butler, de 300 e P.S.: Eu Te Amo é o arquiteto que sofre com o pouco caso das autoridades. Então decide fazer Justiça com as próprias mãos, acabando por parar na cadeia, depois de perseguido pelo promotor interpretado pelo ótimo Jamie Fox (Colateral e Ray). Preso, Clyde tenta mostrar que a Justiça tem graves falhas. E todos aqueles envolvidos no julgamento que liberou o assassino de sua família começam a ser mortos. E a grande sacada - quem estaria ajudando Clyde, já que ele está no presídio?
CÓDIGO DE CONDUTA tem toques de Jogos Mortais com Desejo de Matar (a cine-série dos anos 1970 e 80 protagonizadas por Charles Bronson). Enfim, é um filme que prende o espectador, com cenas surpreendentes. Fiquem atentos na do telefone celular.

Cotação: bom
Chico Izidro

JOGOS MORTAIS 6




O serial killer Jigsaw (Tobin Bell) já passou desta para melhor. Mas o seu legado continua em JOGOS MORTAIS VI, de Kevin Greutert. A história aqui não difere muito das outras, ou seja, pessoas com pecados em suas vidas continuam sendo alvo da fúria assassina de Jigsaw. Como ele está morto, deixou orientações aos seus seguidores, entre eles o detetive Hoffman (o careteiro Costa Mandylor).
Cada vítima de Saw é submetida a uma tortura específica. E aqui vale um parênteses: o cara ou o grupo que cria as máquinas de torturas deveria ir a um psiquiatra, pois tem sérios problemas mentais...
Corpos são mutilados, explodidos, numa orgia de sangue para quem tem estômago forte. Enfim, tudo mais do mesmo em JOGOS MORTAIS VI.

Cotação: regular
Chico Izidro

MATADORES DE VAMPIRAS LÉSBICAS



Um filme com esse "singelo" nome, MATADORES DE VAMPIRAS LÉSBICAS, não é mesmo para ser levado a sério. Com direção de Phil Claydon, é propositalmente ruim. Ele até tem boas sacadas, como a abertura, lembrando aqueles velhos filmes trash dos anos 1960. E os atores, nota-se, estão se divertindo com o besteirol.
Uma aldeia nos confins da Inglaterra sofre com uma maldição: todas as mulheres, ao completarem 18 anos se tornam vampiras lésbicas. E elas pretendem trazer à vida sua líder, morta por um guerreiro há mais de 500 anos. Para tanto, necessitam do sangue de uma virgem e de um herdeiro do guerreiro. E ele calha de ser o estúpido Flecht (James Corden, com um topete patético), que está na região de férias ao lado do tão mais idiota amigo, o gordinho Jimmy (Mathew Horne).
O filme segue a linha terrir (terror com horror). Porém não consegue fazer nem um nem outro. Ficam aquelas risadas constrangidas na sala de cinema e o olhar no relógio, torcendo para que acabe logo tal tortura.

Cotação: ruim
Chico Izidro

ALÔ, ALÔ, TEREZINHA



ALÔ, ALÔ, TEREZINHA, de Nélson Hoineff, pretendia contar a importância do comunicador Abelardo Barbosa, o Chacrinha, para a televisão brasileira. No entanto, o projeto ficou pelo devendo um pouco. Hoineff foca pouco no Velho Guerreiro, dando mais destaque as chacretes (Rita Cadillac, Índia Potira, entre outras). Seriam estas garotas de programa ou não? Também foram buscados ex-calouros, aqueles que eram humilhados por Chacrinha para deleite da plateia e também de todo o Brasil, numa era pré-tevê a cabo. Alguns não se dignaram e quase 20 anos depois voltaram a fazer ridículo em frente às câmeras. Um deles claramente sofre de distúrbios mentais, jurando ser melhor cantor do que Roberto Carlos e disparando uma música cuja letra é incompreensível. Outros dois são gagos.
Mais o show de horror não para por aí. Algumas ex-chacretes não se importam em mostrar os corpos, que outrora foram o desejo de muitos homens. São cenas constrangedoras. Índia Potira, por exemplo, fica nua num chafariz. Rita Cadillac deixa um fã beijar suas nádegas. Sobra espaço até para os eleitos de Chacrinha, como Ney Matogrosso, Fábio Júnior, Roberto Carlos e Aguinaldo Rayol contarem como eram ajudados pelo "palhaço".
Porém, ALÔ, ALÔ, TEREZINHA tem seus méritos, ao recuperar imagens históricas da tevê nos anos 1970 e 80 (Chacrinha morreu em 1988 e até hoje muita gente acha que não há um substituto à altura. Os detratores de Faustão que o digam). O Velho Guerreiro também incentivou o surgimento de vários grupos de rock, como Titãs, Barão Vermelho, Irã, Kid Abelha e por aí vai.
Cotação: bom
Chico Izidro

BESOURO




BESOURO, de João Daniel Tikhomiroff, retrata a vida do maior capoeirista da história do Brasil. E se passa no Recôncavo Baiano, em 1924, onde os negros ainda são tratados como escravos, apesar de a Abolição ter ocorrido mais de trinta anos antes. A capoeira é proibida pelas autoridades. E como o proibido é mais empolgante...

Besouro é interpretado por Ailto Carmo, capoeirista profissional. E era isso. O rapaz não tem a mínima condição de atuar. Mas ele não está sozinho no filme. Sua amiga Dinorá (Jéssica Barbosa) e o melhor amigo, Quero-Quero (Anderson Santos de Jesus) também deixam a desejar. As cenas são por demais teatrais, os vilões caricaturais. O que se salva? A reconstituição de época, a fotografia, as cenas de luta, coreografadas pelo chinês Huan-Chiu Ku, de O Tigre e o Dragão.

Cotação: ruim
Chico Izidro

SUBSTITUTOS



Bruce Willis mais uma vez confirma ser um grande ator para os filmes de ação. Em SUBSTITUTOS (Surrogates, de Jonathan Mostow), a humanidade vive trancada em seus apartamentos, usando robôs para fazerem suas atividades diárias, como ir trabalhar, jogar, pescar. Os robôs são cópias perfeitas de seus donos.
Bruce Willis e Radha Mitchell (de Melinda, Melinda) são dois agentes do FBI que começam a investigar uma série de crimes em que os robôs são exterminados e junto com eles seus operadores, os seus donos. Os suspeitos são um grupo de humanos que se negou a embarcar na onda de ter substitutos ou sem condições de possuí-los. Além das boas atuações de Willis e de Mitchell, as presenças de James Cromwell e Ving Rhames também são marcantes.
O filme é inteligente, analisando até uma das doenças modernas, a Síndrome do Pânico. E claro, como nada se cria, tudo se copia, SUBSTITUTOS bebe na fonte de outros dois grandes filmes, Eu, Robô, com Will Smith, e o imbatível Blade Runner, clássico oitentista de Ridley Scott e com Harrison Ford.

Cotação: bom
Chico Izidro

Thursday, October 15, 2009

DISTRITO 9






O apartheid foi uma mancha na África do Sul que ainda hoje, passados mais de uma década e meia de seu término, ainda incomoda os habitantes do país da Copa do Mundo de 2010. O sistema segregacionista ganha uma visão diferente, mas não totalmente reflexiva em DISTRITO 9, do sul-africano Neill Blomkamp. Aqui quem vive o preconceito são alienígenas, que devido a uma pane em sua nave, acabam retidos na Terra.
Só que ao invés de ets violentos e assassinos ou o outro extremo, cordiais, estes são passivos, mas não bonzinhos. Vivem na tal favela batizada de Distrito 9, situada nos arredores de Johannesburgo, como cidadãos de segunda ou última classe. O ambiente é sujo, podre e eles o dividem com imigrantes de outras nações africanas, principalmente uma gangue de nigerianos. E estes gostam de comer partes dos extra-terrestres, pois acreditam que assim ficarão tão fortes e inteligentes quanto eles, chamados de camarões por seus algozes, devido ao formato de seus corpos. A favela fica tão superpovoada (mais de 1,5 milhão de Ets), que uma agência governamental, a MNU, decide alocá-los em outro local.
Nisso, surge a figura do funcionário Wikus wan der Merve (Sharlto Copley), que tem a missão de removê-los da favela. Porém ao sofrer um acidente, ele vai passar a sentir na pele o preconceito que seus iguais infligem aos camarões. Enfim, uma parábola do que acontecia com um branco ao ajudar o homem negro na luta contra o racismo - e neste ponto seria ótimo assistir Um Grito de Liberdade, com Kevin Kline e Denzel Washington, de 1987. Voltando a DISTRITO 9, o filme segue uma linha documental, com uma câmera seguindo os funcionários da MNU em sua incursão pela favela e depoimentos reais de sul-africanos sobre a presença de estrangeiros no país - mesmo negros não conseguem aceitar a presença de outros africanos na África do Sul e exigem sua expulsão.
Cotação: ótimo
Chico Izidro

BASTARDOS INGLÓRIOS




Levei mais de uma semana para "deglutir" BASTARDOS INGLÓRIOS, a nova obra de Quentin Tarantino. Pensei, ouvi comentários aqui, ali, acolá. Uma coisa era certa ao sair da sessão de pré-estreia para a imprensa: o cineasta havia subvertido a história, sem nenhum sentimento de culpa, não deixando pedra sobre pedra neste filme sobre a Segunda Guerra Mundial, ou uma outra Segunda Guerra Mundial.
Para mim, este tema é tão pesaroso, que não poderia sofrer interferência humorísticas - vide que rejeito plenamente o idiota A Vida é Bela, do mais idiota ainda italiano Roberto Begnini. Mas ali ele criava um campo de concentração que passava muito longe dos horrores dos verdadeiros lagers nazistas, como Auschwitz, Treblinka, Sobibor, Dachau, só para citar alguns.
BASTARDOS INGLÓRIOS, no entanto, vem na melhor tradição de um Fuga no Inferno, com Steve McQueen, o seriado Sombra e Água Fresca (Hogan's Heroes) e Colditz. Aqui, um grupo de soldados judeus norte-americanos liderado pelo tenente Aldo "Apache" Raine (Brad Pitt, impagável) entra na França ocupada e tem a missão de matar o máximo possível de nazistas. E de preferência, trazendo o escalpo dos assassinados para o seu líder.
Ao mesmo tempo que acompanhamos estes soldados, vemos também a garota judia Shosanna (a atriz francesa Mélanie Laurent), que escapou de um massacre, tentando vingar sua família. Temos também um Hitler histérico (Martin Wuttke) e um oficial alemão, Hans Landa (o austríaco Christoph Waltz), caçador de judeus e poliglota. Waltz literalmente rouba o filme. Suas aparições são "apetitosas" e hilárias, mesmo nos momentos em que está prestes a cometer mais uma de suas barbaridades. Como diziam os nazistas depois da guerra: "Apenas seguíamos ordens".
Tarantino, além de tirar muito de seus atores, usa e abusa de uma trilha sonora que vai desde Ennio Morricone, dando a BASTARDOS INGLÓRIOS um ar de faroeste, a David Bowie. Sim, Bowie. Enfim, é um filme para ser visto e revisto.
Cotação: ótimo.
Chico Izidro

CHE - A GUERRILHA








CHE - A GUERRILHA é a continuação de Che, de Steven Soderbergh, lançado no começo deste ano. Nas suas duas primeiras hora e meia, Soderbergh recriou a vitória da revolução cubana orquestrada por Fidel Castro (Demién Bichir) e Guevara. Agora, na sua parte final, o filme se prende totalmente na tentativa de Che de implantar a revolução na Bolívia, um país totalmente atrasado em 1966/67 (aliás, ainda o é atrasado), partindo da selva, como fizera no Caribe. Como se sabe, os camponeses, por mais que vivessem um estado de extrema pobreza, não embarcaram na utopia do médico argentino.
A visão de Soderbergh sobre Che é por demais simpática. Não aparece ali aquele guerrilheiro cruel, que não perdoava os seus inimigos. E visto quase como um santo e nisso CHE - A GUERRILHA peca (desculpem-me o trocadilho). O diretor ainda descarta a presença fracassada de Che no Congo e sua participação no governo de Fidel - quando ele não vacilava em mandar os adversários do regime para o famoso "paredón".
Porém a interpretação de Toro, coadjuvado por Franka Potente (Corra Lola, Corra), Joaquim de Oliveira e Catalina Moreno, entre outros, é primorosa. Definitivamente, o porto-riquenho Benício Del Toro (Traffic e Coisas que perdemos pelo caminho) nasceu para ser Ernesto "Che" Guevara. Detalhe: Matt Damon faz uma pequena aparição como um padre e tem mais falas do que Rodrigo Santoro, que vive o irmão de Fidel, Raúl Castro, atual governante de Cuba. Aliás, o brasileiro nem fala tem. Entra mudo e sai calado.
Cotaçã: bom.
Chico Izidro

DEIXA ELA ENTRAR









A moda deste final da década são os filmes e seriados sobre vampiros. Eles pululam por aí. Estes seres da noite, que sempre estiveram presentes em nossas imaginações graças a Bram Stocker e seu Drácula. Crepúsculo, que iniciou a cine-série teen, é adocicada demais. Em compensação, o seriado True Blood convence com seu humor, suspense e erotismo.
Só que nada supera DEIXA ELA ENTRAR (Let the right one in, de Tomas Alfredson). É uma bela história de amor entre o solitário garoto Oskar e a vampira Eli, que tem 12 anos e alguma coisa - na realidade, ela tem muito mais, só que não sabe precisar.
Os dois, numa gélida e nevada Estocolmo dos anos 1970, se confortam, pois ele sofre o pavor do buyling no colégio, vítima de três valentões que o espancam a toda hora. E Eli só pode sair à noite, devido a sua condição vampiresca. Sendo assim, acabam se encontrando e de uma amizade nasce algo mais forte. DEIXA ELA ENTRAR, no entanto, nunca apela, mesmo nas cenas em que os vampiros atacam os seres humanos. O casal mirim de atores Kare Hedebrant e Lina Leandersson é um show à parte, que comove e tem uma atuação espetacular. O nome do filme remete a tradição de que um vampiro só pode entrar na casa de um humano se este convidar a criatura.
Cotação: ótimo
Chico Izidro

TERROR NA ANTÁRTIDA






TERROR NA ANTÁRTIDA (Whiteout, de Dominc Sena) tem em seus primeiros minutos a belíssima Kate Beckinsale tirando a roupa e entrando no chuveiro numa estação de pesquisa no ponto mais frio do planeta. Isso já é um agrado para os marmanjos. Logo depois, ela, que é uma detetive do FBI, se vê as voltas com um misterioso assassinato. E tem 48 horas para solucionar o caso, já que a estação será fechada por seis meses e ninguém deve permanecer no local, extremamente hostil para o ser humano...no inverno...
A primeira hora de TERROR NA ANTÁRTIDA consegue segurar o espectador, apesar de quando da aparição de um personagem já se dê para desconfiar do criminoso. Que solto na estação polar, continua matando. O problema é que na segunda parte, o filme descambe e caia na mesmice - e uma coisa me intriga...por que o assassino em todos os trailers policiais faça tudo certinho para encobrir os seus rastros, mas no final decida mostrar de forma tão estúpida sua identidade? Não fosse Kate Beckinsale, TERROR NA ANTÁRTIDA não valeria o ingresso.
Cotação: regular
Chico Izidro

Thursday, October 01, 2009

GIGANTE





O cinema uruguaio é quase um desconhecido para nós, brasileiros. Mas também porque a produção cinematográfica no país vizinho é quase inexistente. O exemplo mais recente a ter chegado até aqui é o excelente O Banheiro do Papa, de 2007. Agora, eles nos brindam com GIGANTE, de Adrián Biniez. A obra mostra que não é necessária muita parafernália para se contar uma história singela, terna...
Em seus pouco mais de 80 minutos, pouca coisa acontece em GIGANTE. Ele é monótono e nisso que está o seu encanto. O segurança de supermercado Jara (Horacio Camandule, que é ator amador no Uruguai) nutre uma paixão platônica por uma das faxineiras do local, Julia (Leonor Svarcas). Jara é um cara grande, gordo e com um aspecto sério e ameaçador, sempre de preto e fã de heavy metal. E atrás deste ar, ele é uma pessoa meiga, quase uma criança, que tem como melhor amigo o seu sobrinho de 10 anos. Ele é tão tímido que não consegue se aproximar de Carmen. O que consegue é seguí-la pelas ruas das periferias de Montevidéu - e aí o filme nos mostra um outro retrato da capital uruguaia, longe daquela a que estamos acostumados, a do turismo. Não vou contar aqui no final, mas ele nos faz ter esperança nas relações amorosas.
Cotação: bom
Chico Izidro

A VERDADE NUA E CRUA




A bonita atriz Elizabeth Heigl (do seriado médico Grey's Anatomy) afirmou recentemente que ao lado de sua empresária e mãe, costuma analisar e procurar bons roteiros para se arriscar no cinema. Porém se formos analisar esta informação por seu filme mais recente, ela anda cometendo equívocos. Sua última incursão na telona é o romântico A VERDADE NUA E CRUA (The Ugly Truth, de Robert Luketic) e que parece nome de documentário. A história mais boba impossível, nada mais é do que dois colegas de trabalho se odeiam e descobrem a tantas que estão perdidamente apaixonados um pelo outro.
Heigl até tem umas três cenas engraçadinhas como a mulher de 30 anos, bela e solitária, que se encanta pelo vizinho do lado, o insosso Nick Searcy. O seu antagonista é Gerard Butler (300 e P.S.: Eu Te Amo), aqui como um ogro misógino, que na realidade só age dessa forma porque foi muito magoado no passado. O final, prá lá de previsível, chega a ser enjoativo e dá vontade de a gente vomitar...argh...
Cotação: ruim.
Chico Izidro

UMA PROVA DE AMOR





Esqueça o título horroroso no Brasil - UMA PROVA DE AMOR (no original My sister's Keeper, de Nick Cassavetes), e que você vai passar boa parte dos 106 minutos deste filme lacrimejando, caso seja extremamente sensível. Pense nas boas atuações das garotas Abigail Breslin (de Pequena Miss Sunshine), Sofia Vassilieva e de Cameron Diaz e a boa direção de Nick, filho do famoso diretor John Cassavetes. A trama é aquela que os norte-americanos adoram, onde um dos personagens sofre de uma doença incurável, aqui no caso Kate (Vassilieva), que tem câncer.
Para tentar salvá-la, seus pais geram a pequena Ana, que aos 11 anos entra na Justiça pois não suporta mais ter o corpo violado para ajudar no tratamento da irmã, Kate. Isso gera um grande conflito com sua mãe, Sara (Diaz), que acha a atitude da caçula inteiramente egoista. Mas atrás de tudo esconde-se um grande segredo. UMA PROVA DE AMOR é cativante, mostrando que devemos estar sempre ao lado dos entes queridos nos bons e nos maus momentos.
Cotação: bom
Chico Izidro

JUÍZO FINAL





Às vezes uma salada de frutas vira um clássico genial, como Kill Bill 1, de Quentin Tarantino. Noutros casos, é gerado um filme intragável, como JUÍZO FINAL (Doomsday, de Neil Marshall). Ele certamente bebeu em várias fontes, como por exemplo Mad Max, Extermínio, Guerreiros da Noite e até mesmo Planeta dos Macacos, mas aprendeu mal a lição.
Em 2012, o Reino Unido é afetado por um vírus letal, que dizima metade da população. E quem está infectado é isolado no norte, na Escócia. Duas décadas depois, quando todos achavam que o vírus estava debelado, ele volta mais letal. A salvação estaria em algum sobrevivente, que teria o antidoto no sangue. Para achá-lo, é formado um grupo de militares liderado pela corajosa e violenta Eden (Rhona Mitra), que perdeu a mãe durante a primeira aparição do vírus.
Ela parte para Edimburgo com o grupo e lá dão de cara com duas gangues, uma de punks e a outra de homens que vivem como se estivessem na Idade Média, estes liderados por um ex-médico, Kane (Malcolm McDowell, de A Laranja Mecânica e aqui no topo tudo por uns trocados). Ele, assim como ninguém se salva nesta produção. Todos estão extramente caricatos e um dos vilões chega a ser irritante de tão forçada a sua "maldade". Você vai sair do cinema com raiva, se for ver o filme.
Cotação: ruim.
Chico Izidro

Thursday, September 10, 2009

A ONDA (DIE WELLE)





Poderia o nazismo reviver nos nossos dias? Este assunto não interessa mais aos alunos do professor Rainer Wegner, pois consideram que a geração deles não deve se sentir culpada pelo que fizeram Hitler e seus asseclas nas décadas de 30 e 40 do século passado. Por isso, Wegner (excelente atuação de Jürgen Vogel) decide realizar uma experiência no excelente A ONDA (Die Welle, de Dennis Gansel) e mostrar que uma ditadura fascista pode florescer sem que as pessoas o percebam.
Os estudantes de uma escola de ensino médio alemão e de todas as classes sociais entram de cara no projeto, sem notar que estão sendo manipulados e que aos poucos começam a reviver o que se passou na Alemanha naquele período trágico da história. Os jovens adoram um uniforme - calça jeans e camisa branca -, o que significa a perda da individualidade, uma saudação e um símbolo. E ainda cegos pela lavagem cerebral, começam a discriminar quemnão aceita participar do grupo – a principal vítima é a garota Karo (Jennifer Ulrich), que tenta avisar os colegas de que as coisas estão saindo do controle. Aliás, todo o elenco, quase todo ele formado por jovens atores, mostra-se bem afiado, inclusive a teuto-brasileira Cristina do Rego como a rejeitada Lisa.
A ONDA é uma refilmagem de um curta norte-americano de 45 minutos filmado em 1981, com direção de Alex Grasshof, e que retrata a história real do professor Ron Jones, que em 1967, em Palo Alto, na Califórnia, fez a experiência com seus alunos numa escola de segundo grau, com resultado desastroso. Jones nunca mais pode voltar a lecionar. Hoje, aos 66 anos, ainda vive na região e além dos filmes, teve sua ideia retratada no livro A Terceira Onda (não confundir com o livro homônimo de Alvin Tofler), escrito por Todd Strasser.
Cotação: excelente.
Chico Izidro

Thursday, September 03, 2009

UP - ALTAS AVENTURAS





Talvez uma das melhores animações dos últimos tempo: UP - ALTAS AVENTURAS, de Peter Docter e Bob Petersen. O desenho da Disney, que em muitos cinemas entrará em cartaz em 3-D, relata a vida do velhinho Carl Fredricksen (dublado magistralmente por Chico Anísio), que aos 78 anos, resiste ao avanço imobiliário em sua casa onde viveu toda a vida com seu amor de infância, Ellie. Após um terrível incidente, ele decide colocar em prática o que sempre sonhou com a mulher: viajar para a América do Sul e desbravar as matas selvagens da Venezuela. Por acidente, acaba levando junto um garotinho, o tagarela Russel. Os diálogos entre os dois são hilários, principalmente na irritabilidade de Carl com o pequeno escoteiro.
Porém UP não é uma simples comédia animada de aventuras dirigida para as crianças. Ele também trata de amizade, amor, perdas (e aqui não posso adiantar, para não estragar uma parte muito emotiva do filme) e desilução.
Cotação: ótimo
Chico Izidro

O SEQUESTRO DO METRÔ 123




Às vezes, ou quase sempre, nada melhor do que o original, neste caso da década de 1970, com o falecido Robert Shawn (Tubarão e Domingo Negro). Nesta refilmagem de Tony Scott, o SEQUESTRO DO METRÔ 123, a tecnologia toma conta da cena e não faltam as tradicionais batidas de carro e assassinatos a sangue-frio. Porém o embate entre o vilão John Travolta e o mocinho Denzel Washington rende bons diálogos, apesar de às vezes o ator de Os Embalos de Sábado à Noite mostrar-se excessivamente histriônico.
Travolta sequestra a tal linha de metrô, que tem este número pois sai da estação central exatamente à 1h23 da tarde, e faz vários reféns. Para libertá-los, exige 10 milhões de dólares. Washington é o funcionário do metrô rebaixado de cargo por suspeita de suborno, e que acaba virando o mediador entre sequestradores e a prefeitura de Nova Iorque. Até a sua metade, O SEQUESTRO DO METRÔ 123 vai bem, depois vira um pastiche convencional e que só faz a gente torcer logo por seu término.
Cotação: regular
Chico Izidro

A ORFÃ




A ORFÃ, de Jaume Collet-Serra, lembra e muito o Anjo Malvado, estrelado por MacCauley Culkin, de 1994. Aqui, no entanto, sobressai a boa atuação da estreante Isabelle Furhmann no papel de Esther. Adotada pelo casal Kate (Vera Farmiga, de Os Infiltrados) e John (Peter Skargard, de Soldado Anônimo), que desejavam um terceiro filho e o perderam. Então encontram num orfanato a carismática e inteligente Esther. Doce no início, a garota logo vai se mostrar um verdadeiro demônio, principalmente para Kate e a garotinha surda-muda Max (Aryana Enginner, outra boa surpresa do filme). O problema é que A ORFÃ cai no lugar comum dos filmes de terror, com Kate tentando mostrar que Esther é a crueldade em carne e osso. Porém todos duvidam dela, que tem um passado problemático devido ao alcoolismo. O final é até surpreendente, quando Kate descobre o terrível passado da sua filha adotiva.
Cotação: regular
Chico Izidro

A VIDA SECRETA DAS ABELHAS





Imagine a mistura de A Cor Púrpura com Tomates Verdes Fritos! Teremos A VIDA SECRETA DAS ABELHAS, de Gina Prince-Bythewood. Nos confins da racista Carolina do Sul em 1964, a adolescente Lily (Dakota Fanning, é, a garotinha de Guerra dos Mundos cresceu e até já dá beijo na boca), maltratada pelo pai T. Ray (a ex-promessa Paul Bettany, de Coração de Tinta) e querendo saber o que aconteceu com sua mãe, foge de casa ao lado da amiga, a jovem negra Rosaleen (Jennifer Hudson, vencedora do Oscar por Dreamgirls), que é perseguida por querer inscrever-se para votar, o que é um acinte para os racistas locais.
As duas acabam refugiando-se na casa mais do que brega, pois é toda pintada de rosa, das irmãs Boatwright, August (Queen Latifah), June (Alicia Keys) e da depressiva May (Sophie Okonedo), que tiram o sustento com a venda de mel. As três vivem em um mundo quase à parte, em que o sistema racista da Carolina do Sul parece não ter espaço. Até a chegada de Lily e Rosaleen...Numa das cenas mais chocantes do filme, um rapaz negro é espancado e sequestrado por apenas sentar ao lado de Lily no cinema.
A VIDA SECRETA DAS ABELHAS não tem vergonha em apelar para o sentimentalismo, mas conta com boas atuações da própria Dakota e de Queen Latifah. Em certos momentos, porém, o espectador é pego de surpresa e acaba caindo no choro fácil.
Cotação: bom
Chico Izidro

AMANTES




Joaquim Phoenix afirmou ser este o seu último filme, pois agora vai se dedicar ao rap - e ele até arrisca um numa cena. O que convenhamos é uma pena, pois Phoenix (irmão mais novo do falecido River) é um belo ator. Em AMANTES (Two Lovers, de James Gray, ele deixa isso bem claro no papel de um jovem depressivo, Leonard, que retorna à casa dos pais (a mãe é interpretada pela outrora belíssima Isabela Rosellini), e vê-se envolvido com duas belas mulheres: a cândida Sandra (Vinessa Shaw), de tradicional família judaica e que faz tudo por ele, e a doida Michelle (Gwyneth Paltrow), destrutiva e destruidora e que mantém um romance mal-sucedido com um homem mais velho e casado (Elias Koteas, de Além da Linha Vermelha). Claro que Leonard vai percorrer o caminho mais pedregoso. Mas quem poderia resistir a beleza radiante de Paltrow? Um belo filme intimista, que só tropeça em seu final, ao escolher um caminho mais tradicional para o desfecho.
Cotação: bom
Chico Izidro

A GAROTA DE MÔNACO





Um famoso advogado, Bertrand Beauvois (Fabrice Luchini, de Paris) parte para o Principado de Mônaco com a missão de defender uma milionária acusada de ter assassinado o amante. Na rica cidade, ele tem a vigilância mais do que sufocante do segurança Abadi Christophe (Roschdy Zem, de Dias de Glória), mas acaba se apaixonando pela bela Edith (Stéphane Audran), que trabalha numa emissora de tevê como a garota do tempo. A GAROTA DO TEMPO, de Anne Fontaine, enfim é uma história batida, que trata da paixão de um homem cinquentão por uma garota na casa dos vinte e poucos anos. Nada mais Woody Allen.
Edith, completamente perua, acaba virando a cabeça de Bertrand, que quase perde o foco no julgamento, apesar de avisado por seu segurança, que manteve um romance com a garota. Ela, aliás, é um verdadeiro arroz de festa, que já transou com meio Mônaco, o que deixa o advogado mais enciumado ainda.
A GAROTA DE MÔNACO tem momentos divertidos, porém mostra-se irregular e o seu final é marcado por um tremendo erro de roteiro, que não passa despercebido a olhos e mentes mais atentos. Mas vale ver a pena a beleza natural do Principado. Um porém: a cópia exibida tem um grave problema - a legendagem branca acaba sumindo quando a cena é por excessivamente clara, deixando quem não é fluente no idioma de Victor Hugo e Napoleão completamente perdido.
Cotação: regular
Chico Izidro

Thursday, August 27, 2009

OS NORMAIS 2







Se a comédia Se eu fosse você 2 era medíocre tanto quanto a sua primeira parte, OS NORMAIS 2 - A NOITE MAIS MALUCA DE TODAS, de José Alvarenga Júnior, consegue superar o primeiro filme e é tão divertido quanto os episódios da série televisiva - que foram ao ar na Rede Globo na primeira metade desta década.
Em Os Normais 1, Rui (Luis Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres), é mostrado quando a hilária dupla acaba conhecendo-se, quando estavam para se casar com outras pessoas. Agora, em OS NORMAIS 2, o casal, já com 13 anos de noivado, vive a crise de quem está muito tempo junto. Não há mais novidade no relacionamento e está tudo mais do que morno. A palavra certa seria frio, mesmo. Então Rui e Vani decidem fazer um menage a trois, ou seja, sexo a três. E ai que a coisa fica divertida. Eles vão em busca de quem tope participar da festinha. E é a hora de os coadjuvantes entrarem em ação, como Drica Moraes, Danielle Winits, Claudia Raia, Daniele Suzuki, Alinne Moraes e Daniel Dantas.
O "timing" das piadas é excelente, por vezes mal emendando uma na outra, mal dando tempo para que o espectador termine de rir da primeira. E claro, Luis Fernando Guimarães e Fernanda Torres estão ótimos, mostrando que tem uma perfeita sintonia e deixando aquele gostinho de "quero mais" para o espectador. Como disse Fernandinha num programa de televisão: "a gente teve o senso de terminar a série no auge". Isso mantém Os Normais no coração de seus fãs.
Cotação: ótimo
Chico Izidro

SE BEBER, NÃO CASE





Há muito não e via uma comédia tão escrachada e que foge ao estereótipo jovens querendo perder a virgindade ou paródias de filmes de sucesso de Hollywood, SE BEBER, NÃO CASE (The Hangover, de Todd Phillips), quatro amigos partem para Las Vegas para comemorar a despedida de solteiro de um deles, Doug (Justin Bartha, de A Lenda do Tesouro Perdido). Tudo parece correr bem, mas no início da noite, após brindarem, eles apagam e acordam pela manhã num apartamento completamente destruído, com um tigre no banheiro e uma galinha correndo pelos cômodos. E Doug? Ele simplesmente desapareceu.
A partir daí, os três remanescentes: Phil (Bradley Cooper, de Ele não está tão afim de você), Ed Helms (The Office, versão americana) e o paspalhão Alan (Zach Galiafinakis, de Jogo de Amor em Las Vegas) tentam remontar o que aconteceu na noite passada, porém não recordam de nada, simplesmente nada. E tão perdidos quanto eles fica o espectador, que entra na brincadeira. Uma hora eles são perseguidos por uma gangue de chineses, sem entender o porque, noutra encaram o ex-pugilista Mike Tyson e um deles até descobre que na bebedeira perdeu um dente e acabou casando com uma prostituta, a bela Jade (Heather Graham, de Austin Powers). As piadas se sucedem como uma avalanche, mas o melhor está no final, quando o da explicação do que houve na noite da bebedeira. Então, um aviso: não abandone o cinema quando começarem os créditos.
Cotação: ótimo
Chico Izidro

JCVD





Nada melhor do que um astro de Hollywood saber tirar sarro de sua própria decadência. Neste caso, falo de Jean-Claude Van Damme, que estrela o quase depressivo JCVD, de Mabrouk El Mechri. Note que o título do filme remete as iniciais do ator, que teve seu auge entre o final da década de 1980 e a primeira metade dos anos 1990, depois entrando em franca decadência, chegando ao cúmulo de participar de um programa de Gugu no SBT, onde teve uma ereção ao ver uma dança sensual de Gretchen.
Em JCVD, ele interpreta a si mesmo. Sem emprego e quase sem dinheiro, ainda enfrenta um processo de divórcio e briga pela guarda da filha, Jean-Claude Van Damme decide retornar à sua terra natal, Bruxelas. Lá vai a uma agência de correios buscar uma encomenda, mas como tudo na sua vida está dando errado, acaba chegando na hora de um assalto. É feito refém, mas para as autoridades, é visto como o líder do crime. JCVD remonta a Um dia de Cão, com Al Pacino, principalmente na figura de um dos criminosos, que usa o cabelo exatamente como o personagem de John Cazale no clássico policial de 1975. Numa parte emblemática de JCVD, Van Damme fala diretamente para a câmera, desabafando sobre o que deu de errado em sua carreira.
Cotação: bom
Chico Izidro

ARRASTE-ME PARA O INFERNO





Sam Raimi, de Homem-Aranha, decidiu voltar aos anos 1980, quando estreou no cinema com o terrir Uma Noite Alucinante. Desta vez, depois do sucesso do aracnídeo, ele decidiu brindar os seus fãs com um revival, no divertido ARRASTE-ME PARA O INFERNO (Drag me to Hell). A história é atolada de clichês, mas não deixa de pregar os seus sustos e também o de fazer o espectador se mijar de rir na poltrona.
A bonitinha Christine (Alison Lohman, de Os Vigaristas, onde fez parceria com Nicolas Cage) trabalha num banco e sonha em ser auxiliar de gerência. Para tanto, tem de deixar de ser boazinha e negar a extensão de uma hipoteca para uma velhinha cigana, que por vingança, roga-lhe uma praga. Christine tem então, três dias para se livrar do mal. E daí em diante é uma sucessão de objetos voando em direção à heroína, que também é jogada sobre os móveis, é arrastada pela casa por um ser invisível, no melhor estilo Uma Noite Alucinante, além de vômitos, vermes rastejantes. O seu namorado, Clay (Justin Long, de Duro de Matar 4), evidente, acha que a moça está tendo alucinações. No meio de tanta nojeira, quem estiver atento, pode se tocar da pegadinha que dará conclusão ao filme, no melhor estilo M. Night Shyamalan, mas com mais estilo.
Cotação: bom
Chico Izidro

A CULPA É DO FIDEL






Uma garotinha tem a vida mudada na Paris do começo dos anos 1970 depois que os pais decidem largar a vida burguesa e se engajar na luta contra a ditadura de Augusto Pinochet no Chile. Este é o mote de A CULPA É DO FIDEL (La Faulte à Fidel, de Julie Gravas). Para Anna (Nina Kervel-Dey), o comunismo é o culpado de todos os males e sua vida não sofreria as modificações que vem aparecendo. Ela sofre ainda a influência de um empregada, que fugiu de Cuba e vive reclamando de Fidel Castro e sua "ditadura".
Apesar de o filme ser francês e lidar com um tema que agrada aos intelectuais, deixa muito a desejar. A protagonista, a pequena Nina Kervel-Dey não tem empatia e para quem não está familiarizado com o tema pode se achar perdido ou melhor, sente-se perdido. Sim, eu acho que A CULPA É DO FIDEL deveria ser mais didático. Apresenta muitas cenas soltas, sem explicações. Pensando por outra ótica, até podemos nos colocar no papel de Anna - ela, assim como o espectador, está perdido com os acontecimentos.
Cotação: regular
Chico Izidro

A ERA DO GELO 3




Em A ERA DO GELO 3 (Ice Age 3: Dawn the Dinossaurs, do brasileiro Carlos Saldanha), a turma liderada pelo mamute Manny, que prepara-se para ser pai, sai para salvar o desastrado bicho-preguiça Sid, que foi parar num mundo dominado pelos dinossauros. A alusão é clara ao clássico Viagem ao Centro da Terra, de Julio Verne. Mas aqui o filme também trata de amizade, de responsabilidade. Isso para o público infantil e adolescente. E o público adulto também não foi esquecido, com algumas piadas sacanas, uma inclusive aludindo ao suposto homossexualismo de um dos personagens (a criançada passou batida nesta). E não dá para esquecer da eterna briga do esquilo Scrat em tentar capturar aquela noz fujona. E desta vez ele tem a concorrência de uma esquilinha, que aproveita a paixão de Scrat por ela,para fazer gato e sapato do bichinho trapalhão. Já os desenhos estão mais perfeitos, mostrando todo o esmero com que a equipe de Carlos Saldanha trabalhou nesta quase obra-prima da animação.
Cotação: regular
Chico Izidro

Thursday, August 13, 2009

BRÜNO






O comediante inglês Sacha Bahen Cohen já havia subvertido a comédia com o debochado Borat, onde ele interpretava um repórter do Cazaquistão que mostrava o pior dos Estados Unidos. Agora, em BRÜNO, direção de Dan Mazer, Sacha Bahen-Cohen é o repórter gay austríaco de mesmo nome, que circula pelo mundo fashion europeu, até ser demitido. Então ele parte para Los Angeles, com o objetivo de fazer sucesso no meio das celebridades do cinema hollywoodiano. Com falsos alegados 19 anos, fã de Hitler (Bahen-Cohen, detalhe, é judeu) e extremamente afetado, Brüno choca ao fazer um piloto de um programa onde mostra explicitamente suas partes pudendas. As cenas são de corar os mais pudicos e muita gente, com certeza, vai abandonar a sala de cinema nos seus primeiros 15, 20 minutos.
Numa delas, ele transa de todas as formas com seu namorado, usando os equipamentos mais insólitos. Em outra, Brüno entrevista Paula Abdul usando trabalhadores ilegais mexicanos como cadeiras. E a coisa não para por aí. Como em Borat, Brüno faz entrevistas com desavisados, que não sabem da existência do humorista, como um pastor que garante poder curar homossexuais, o líder de um grupo extremista palestino, participa de um swing, onde tenta cantar um dos participantes e numa caçada irrita tanto um dos caçadores, que este quebra a câmera. Mas o melhor está reservado para a parte final, onde Brüno se engalfinha com o amante num ringue de vale-tudo em Arkansas, um dos estados mais preconceituosos dos Estados Unidos. Os dois quase são linchados pela multidão enfurecida. Brüno, enfim, supera as expectativas, é hilário ao extremo, fazendo com quem o assista de mente aberta quase chore de tanto rir.
Chico Izidro

TEMPOS DE PAZ






Com o final da II Guerra Mundial, o planeta passou a ser uma grande alfândega, onde pessoas se deslocavam para todos os lados em busca de um novo lar ou fugindo por causa de crimes cometidos. É neste clima que chega ao Brasil o polonês Clausewitz (Dan Stulbach) no drama TEMPOS DE PAZ, de Daniel Filho. Ele desembarca no Rio de Janeiro, ainda capital do país e respirando os estertores da ditadura de Getúlio Vargas. Sua atitude por deveras alegre, sua facilidade em falar o português levam a polícia da imigração a desconfiar que ali não está um simples agricultor, como ele alega ser, e sim um possível criminoso de guerra. Clausewitz cai, então, nas garras do ex-torturador Segismundo (Tony Ramos), que durante longas horas tentará descobrir quem realmente é o polonês. Stulbach, que é ironicamente chamado de "o Tom Hanks brasileiro", demonstra mais uma vez ser um excelente ator, enquanto que Tony Ramos, com todo o respeito a sua longa biografia na tevê, não convence em nenhum momento, assim como já fora lamentável nos esquecíveis Se Eu Fosse Você I e II. E a história de Daniel Filho pretende ser uma homenagem aqueles que vieram para o Brasil após a guerra, porém se mostra fraca, com vários ganchos mal-resolvidos, como por exemplo o próprio personagem interpretado por Daniel Filho, o doutor Penna. Recém liberto da prisão, ele circula pelo Rio de Janeiro em busca de seu ex-torturador, não se sabe se em busca de vingança, ou se busca olhar nos olhos do policial e perguntar o por quê. E para por aí. Perde-se uma ótima oportunidade para contar com clareza como o Brasil, que no começo da guerra recusou milhares de refugiados e no final, abriu suas portas aos sobreviventes da maior tragédia do século passado.
Chico Izidro

BEM-VINDO






O garoto Bilal (Firat Ayverdi) tem dois grandes sonhos na vida: chegar à Inglaterra para jogar pelo Manchester United e também encontrar a namorada, Mina (Derya Ayverdi), que não vê há vários meses. O problema é que ele está ilegal na França, depois de passar três meses caminhando entre o Iraque e o país europeu. Agora, um problema à sua frente: cruzar o Canal da Mancha. Este é o mote de BEM-VINDO, de Phillipe Lioret. O drama de Bilal retrata bem o que sofrem os imigrantes na Europa, principalmente com o preconceito. Numa cena emblemática, após um grupo de imigrantes ser impedido de entrar num supermercado, sob o olhar indiferente das pessoas, um dos personagens centrais da trama diz para outro: "Por que você não fez nada?" e ouve como resposta: "O que eu poderia fazer e além do mais não quero arranjar problemas", para ouvir em seguida: "Acho que terei de comprar um livro de história para você!". Chocante.
Voltando a Bilal, ele quer atravessar o Canal da Mancha, que separa a França da Inglaterra, e ganha o apoio do professor de natação Simon (o ótimo Vincente Lindon), que mesmo sabendo estar indo contra a lei e com uma separação incômoda em sua vida, não desiste de ajudar o garoto de 17 anos. Bilal, não bastasse a perseguição na França, ainda vem de uma etnia perseguida no natal Iraque, ele é curdo, povo perseguido cruelmente no período da ditadura de Sadam Hussein.
O término de BEM-VINDO é marcante, mostrando um jogode futebol entre o Manchester United e o Lyon francês. Pode-se ali fazer uma leitura de que apesar da crescente xenofobia na Europa, o futebol, com sua crescente importação de jogadores de todas as partes do mundo, supera as barreiras do preconceito. Pelo menos dentro das quatro linhas...Chico Izidro

O GUERREIRO GÊNGIS KHAN






O cineasta russo Sergei Bodrov criou um épico à moda antiga, que recorda muito aqueles clássicos dos anos 1960 como Lawrence da Arábia, El Cid e Dr. Jivago, entre outros. O GUERREIRO GÊNGIS KHAN, que pretende o diretor transformar em trilogia, retrata a ascenção do mongól Temudjin (na infância Odnyam Odsuren e na fase adulta o excelente ator japonês Tanadobu Osanu), que aos nove anos já mostrava ter muita personalidade. Primeiro, contraria o pai e escolhe a própria noiva. E depois, ao ficar órfão, após o assassinato do pai, foge, pois passa a ser jurado de morte por aqueles que passaram a dominar sua tribo. A vida de Temudjin passa, então, a ser um turbilhão, prisões, escravidão, fugas, mais prisões. Porém sua determinação em ser um homem livre e ter sua própria clã, além de recuperar sua noiva, a bela Borte (Khulan Chuluun), o fazem superar todos os percalços.
O filme vai somente até Gêngis (que significa ferocidade) Khan unir várias tribos, após uma épica batalha contra outras tribos mongóis. Como se sabe, depois ele conquistaria a maior parte do mundo conhecido na época, entre os séculos XII e XIII. O GUERREIRO GÊNGIS KHAN prima por excepcionais cenas das estepes da Mongólia - e vale a pena citar que apesar de ser um dos maiores países em extensão territorial do mundo, ele tem hoje apenas 3 milhões de habitantes -, com batalhas filmadas em câmera lenta, o que por muito diminui o impacto da violência para aqueles que não suportam sangue. A música também é algo a destacar, com seu canto gutural típico da região, que perpasa cada minuto deste belo filme de guerra, sangue, amor e vingança (desculpem-me o clichê). Chico Izidro